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Museu da Imigração Marchigiana conta uma das histórias mais emocionantes da região: a partida de milhares de italianos em busca de uma nova vida.

Localizado em Recanati, o museu preserva memórias, objetos e relatos que mostram como os habitantes de Marche cruzaram oceanos e reconstruíram suas vidas em outros países.

Além disso, a visita cria uma conexão imediata com quem tem raízes italianas. Por isso, esse é um dos lugares mais significativos para entender a identidade da região.

As malas e sacos utilizados pelos italianos para a grande viagem

O que é o Museu da Imigração Marchigiana

Onde fica o Museu da Imigração Marchigiana

A história da imigração em Marche

Tragédia da mineração

Uma das metas de imigração na Europa era a Bélgica, onde muitos marchigianos imigraram para trabalhar como mineradores. Uma parte do Museu da Imigração é dedicada a inúmeras vítimas dos trabalhos em Mineiras.

No dia 8 de agosto de 1956 ocorre uma tragédia em Marcinelle na Bélgica, na mina de carvão de Bois du Cazier. Devido a uma falha humana ocorreu uma explosão, seguida de um grande incêndio. Foram 15 dias de busca e salvamento mas morreram 262 mineradores, metade eram de origem italiana e 12 eram marchigianos, ou seja 10% da média italiana.

Como homenagem estão descritos os nomes, as cidades de origem e status civil dos 12 marchigianos que morreram nas minas.

Carro de mineração, no local que homenageia os mineradores mortos
Objetos usados pelos mineradores

O que ver no Museu da Imigração Marchigiana

Foto dos imigrantes

As mulheres imigrantes

O papel da mulher imigrante sempre foi invisível e muitas vezes menosprezado. Normalmente a imigração feminina ocorria de modo passivo, não era uma escolha pessoal delas mas derivado de situações familiares. As mulheres imigravam como uma reunião familiar, partiam para encontrar em outro país o marido, o pai ou um irmão mais velho.

A imigração separava famílias muitas vezes definitivamente e por isso muitas mulheres enfrentaram sozinhas a tarefa de se manter e cuidar dos filhos enquanto o marido buscava oportunidade em outro país. Viviam uma situação social de uma mulher casada sem marido, ou seja, deviam trabalhar para manter os filhos. Quando havia a possibilidade de imigrar, ela partia com os filhos e iria se reagrupar ao marido.

Sempre como coadjuvantes da história, sem a possibilidade de estudar ou decidir sobre a própria vida. Se eram solteiras os contratos de trabalho não permitiam gravidez. Se eram casadas tinham ainda mais dificuldade de conseguir trabalho.

Mas hoje podemos falar sobre a sua importância em transmitir a cultura italiana, que passaram aos filhos. Foram elas que mantiveram as tradições religiosas e mantinham a tradição culinária. São inúmeras as historias de mulheres que obtiveram uma certa autonomia cozinhando e se mantendo com pequenos restaurantes. Ouso dizer que foram elas que tornaram populares os restaurantes italianos fora da Itália.

De modo geral a imigração feminina não era bem vista pela sociedade, se temia os novos hábitos adquiridos no novo país, com emancipação da mulher. Por isso a imigração feminina era desestimulada, acontecendo somente por motivo de reunião familiar. Muitas vezes no retorno a própria cidade, a mulher migrante era vista como algo negativo, fora dos parâmetros morais e religiosos.

Ainda no âmbito da imigração feminina, uma pequena imigração ocorreu com mulheres artesãs marchigianas especializadas no trabalho com a palha. Elas migraram para a Croácia para trabalhar na produção artesanal, sendo utilizadas como mestras para ensinarem a outras mulheres.

Imigrantes italianas em uma fábrica

Imigrantes de Elite

Além da grande maioria que imigrava por necessidade de uma vida melhor, havia um pequeno percentual que pertencia a classes aristocráticas e intelectuais que partiam em busca de um reconhecimento além do próprio país ou em busca de fortuna; alguns ainda pelo desejo de aventura. Eram arquitetos, médicos, jornalistas, professores, músicos, escritores e pintores. Famílias que faliam ou que tinham algum problema que manchava seu status social, também migravam buscando o esquecimento e a esperança de uma nova vida.

Contrariando o estereótipo de um imigrante ignorante, sem estudos, a imigração atingiu todos os setores da sociedade, porém não do mesmo modo; deixando uma herança cultural com a sua profissão e criatividade.

Nem todos tiveram sucesso nessa mudança, mas alguns ajudam a construir cidades em outros países e são lembrados pelos seus feitos como: Giovanni Cingolani, Attilio Valentini, Rafael Sabatini, Adriano Colocci, Luigi Fabbri, Francesco Tamburini, Comunardo Braccialarghe, Folco Testena e Rodolfo Mondolfo.

Mala com lembranças: cartas, documentos e fotos

Uma experiência emocionante para brasileiros

Painel para pesquisa de documentos

Busca de imigrantes

O Museu da Imigração utiliza um banco de dados internacional, que permite ao usuário pesquisar nomes e documentos. Além disso existe um serviço permanente de coleta de documentos, fotos e materiais. Qualquer pessoa pode doar material relativo a imigração marchigiana! Uma das últimas doações foi um vestido de noiva!

Vestido de uma imigrante que foi doado ao museu

Por que visitar o Museu da Imigração Marchigiana

Porta de ingresso do Museu

Em dezembro de 2022 foi inaugurado o Tour Virtual do Museu, onde o visitante pode visualizar as salas virtuais de exposição e consultar documentos. O endereço é: https://www.musei3d.com/museo_emigrazione/. Escrevi esse artigo em colaboração com o Museu da Imigração Marchigiana e setor de Marche Cultura.

Artigo atualizado em 19 de março de 2026.

Se você gostou desse artigo leita também: Recanati

Valeria em uma das suas colaborações com o Museu da imigração

One Reply to “Museu da Imigração Marchigiana: uma viagem pela história dos italianos no mundo”

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